1.10.09

CABOCLINHO
Ilustração: Sidney Ramos

REVELAÇÃO
Sidney Ramos

Só quero
Fechar os olhos
E sentir o calor do sol
Em meu corpo.
Debruçar sobre a janela
Do nosso tempo.
Imaginar
Você brincando na chuva,
Dançando com o vento.
Agora espero o horizonte.
Vejo um fio de cabelo
Molhado em meu rosto
Revelando tua imagem
Numa lágrima de alegria.

1.9.09

NAMORADOS
Ilustração: Sidney Ramos

AQUELE DIA
Sidney Ramos

Eu
Vou
Dizer...
Aquele dia
Foi muito bonito.
Feliz por ter visto
Você na chuva.
Conversamos.
Aquele dia
Amei,
Foi prazer.
Uma noite unia
A chuva eu e você.
Mais o sol
Do amanhecer.

1.8.09

PIRULITOS
Ilustração: Sidney Ramos

BOM DIZER
Sidney Ramos

Aprendi não amar
Mais você.
Não sofrer, não chorar,
Tudo bem.
Você não é quem eu pensei.
Como é bom dizer pra mim,
Foi difícil mas esqueci.
Foi muita dor que acabou.
Como é bom dizer assim,
Demorei, mas vou partir.
Tudo bem, venho aqui
Te abraçar.
Um abraço
De amigos sem mágoas.

1.7.09

JARDINS
Ilustração: Sidney Ramos

FAUNA E FLORA
Sidney Ramos

Fauna mulher,
Flora amiga.
Primeiro dia
Falta a alegria da nossa terra.
Uma carta direto espera
Sentir tua presença bronzeada
Com o perfume das serras
E serestas inflamadas.
Saudade de vocês meninas.
Uma carta chama querida,
Naqueles dias
Tudo era mais bonito.
Recordo as fotografias,
Agente brincava nas árvores.
Bonita era a dignidade,
Saudades de vocês meninas.
Solver, desfrutar desta alegria,
Bonita é a dignidade,
Mulheres da beleza
Não venham com isto,
Demonstrar fragilidades.
Mulheres da beleza

Não queiram com isto.

16.6.09

POUSADA
Ilustração: Sidney Ramos


AMANHECEU
Sidney Ramos

Um pensamento
Decidido me leva
A lutar, não temer
E sonhar.
Dentro de mim
A ilusão me diz sim.
Vou lutar, não temer
E sonhar.
Outra vida não esquece,
Teu carinho foi amigo.
Vou dizer...
Outro dia amanhece
E comigo teu sorriso
Vou lembrar.
O amor me fez crescer.

8.6.09

CAIPIRINHA
Ilustração: Sidney Ramos

LABIRINTO
Sidney Ramos

Hoje sonhei
Com um mundo
Onde havia amor de verdade
Acordei para o labirinto
Das desigualdades.
Meu sonho do amor
Retornou pra cidade
Encontrei lágrimas,
Injustiças e barbárie.
Oceanos e rios
Não mais existem limpos.
Existe a voz do submisso,
Um cio asfixiado
Em nossos filhos,
Armas nas mãos
Dos inimigos da natureza.
Hoje sonhei
Com um mundo
Onde havia amor de verdade.
A vida respirava,
Sorria, brincava...
De um mundo dentro de mim.
Encontrei acordando
O mundo sem saídas,
Vem chegando ao fim.

1.6.09

FOGUEIRA
Ilustração: Sidney Ramos

PARTIDA
Sidney Ramos

Senti
Do lugar partir
E depois...
Lembranças
De um dia
Que não volta mais.
Quero ser assim,
A ilusão de não existir
E de novo outro dia
Faz da vida o amanhã.
Meus olhos dirão
Todo tempo vou cantar,
Seus olhos brilharam
E da gente vou falar.

24.5.09

BORBOLETAS
Ilustração: Sidney Ramos

MINHA PAZ
Sidney Ramos

Espelho d’água
Na estrada.
A chuva e a luz
Refletida.
Mas aquele sorriso
Que ria comigo
Perdido
Não veio.
Sinto falta
Minha paz,
Penso muito
Em você.
Eu pensei
Como a vi
E não esqueço
Jamais.

9.5.09

CRAVIOLA
Ilustração: Sidney Ramos

SONHO, SAMBA e DOR...
Sidney Ramos

SONHO

Eu sempre fui um sonhador,
Vivi nos braços da utopia.
Sonhei com o que
É o melhor do amor,
Foi pouco tempo de alegria.

SAMBA

Passei uma borracha
No meu sofrimento.
Risquei com um
Lápis todo sentimento.
Rasguei o caderno
De recordações.
Tirei nota dez
Nas desilusões.

DOR...

Quero perdoar,
Eu vou esquecer,
Tenho que mudar,
Melhor é viver.

1.5.09

MULHER DAS ÁGUAS
Ilustração: Sidney Ramos

ANA DO MUNDO
Sidney Ramos

Contradiz o fascínio
Em exuberância.
Exigindo ânsia de andar
Nos banhos livres da natureza,
Andar na frente refletindo,
Anda Ana no mundo existindo.
Na luta política
Pela luz do sol,
Ana nos olhos de quem anda
Mergulhando a natureza da existência.
Madrugando a luz
Na ilusão das falsas riquezas.
No desatar livre de um nó,
Fonte refinando as experiências.
Eis que o sistema é híbrido
Em contraposição a resistência.
Ana alienada,
Lúcida,
Inválida,
Anda no amor,
Ana odeia andar com calor.

24.4.09

DUAS MENINAS
Ilustração: Sidney Ramos

OLHOS
Sidney Ramos

Olhos são vidas.
Refletem alegrias
E enormes tristezas.
Olhos são míopes
Que amavam:
Equívocos,
Trocados,
No escuro,
Bem claros...
Olhos são vidas.
Brincando com sonhos,
Sofrendo,
Brilhando nos espelhos
Dos mares e rios.
E dentro de você mesmo,
Pequenos ou grandes,
Olhos são negros.

18.4.09

ABSÍDIO
Ilustração: Sidney Ramos

VERTIGEM
Sidney Ramos
Rafael Fittipaldi

Lembranças
Torrentes
De alegrias.
Redemoinhos
De sentimentos,
Afluentes correndo
À minha alma:
(Onde está o mar?)
Onde está ela
Que se despe
Na despedida.
Ainda opina...
Despida, pede
O pedágio em peso
- O preço - e eu preso,
Amarrado, peço seu amor.
Voraz lançávamo-nos
Na relva afáveis.
Aqueles braços,
Não sabia, eram voláteis,
Solúveis, evaporaram.
Hoje àquelas águas atiro
Com saudade os resíduos
Da sublimação.
Anuncio as lavas
Desgastadas no correr
Da minha respiração.
Evoco a vertigem
- Desejo de queda -
Recaio em lembranças,
Torrentes venosas
No envenenado coração meu.
Agora sou só
Uma pedra de gente.
Assisto o mar
Comer meu continente.
Do alto de um promontório
Rochoso, marrom e cinza...
Adeus as cinzas!
Minhas, dela,
De nossas glórias
Que quero esquecer.

15.4.09

FANTASIA
Ilustração: Sidney Ramos

IDAS E VINDAS
Sidney Ramos

Veio
O barro,
A chuva,
Depois
A bomba
E hoje
As cinzas.
O que virá
De novo?
Afagamos o colhido,
O antes dito,
O depois vindo
E o não lido.
Rolando neste barro
Sem parar,
O orgulho veio
Nos matar.
Engolimos o gosto
Sem sequer provar,
Enxugamos o rosto
Na chuva
Sem demonstrar.
A bomba e o impacto
Colado na fala difícil
Também do rosto
De aço e vidro.
Cansado, consumido...
A guardar alegrias ou cinzas
Das chegadas e despedidas.

14.4.09

VENENO
Ilustração: Sidney Ramos

SÍTIO
Sidney Ramos

Um milhão,
Dois,
Três...
Nas costas de
Um, dois, três...
Talvez a cidade
Tenha crescido
E eu, esquecido,
Perdido fiquei.
Sobrevivi aos nãos
E aos sins...
Com afeição
Meus versos vão
Saem escritos.
Ao lado
Empurro sutil
O barquinho.
Saio sem sequer
Fazer ruído.
No entanto
Estou vivo
Para não ser
Injusto comigo.

12.4.09

CABEÇA LOUCA
Ilustração: Sidney Ramos FALTA
Sidney Ramos

Tua falta
Cresce por todos
Os lados.
Da sala pro quarto,
Ruas e frases a fluír.
Tijolos de saudades,
Cimento e lembranças,
Tua falta matou
Minhas plantas,
Mas ensina
Como se anda
E me deixa fugir.

CANGAÇO CITY
Ilustração: Sidney Ramos

INTERIOR MEU
Sidney Ramos

Meu corpo
É um farto copo
De saudades.
Na ausência
De suas maravilhas
Vou assim vivendo
Nestas terras imensas.
Sem água
E cheio de perdas,
Feito pedaços
Que não se completam
De um quebra-cabeça.
Meu tudo eram vocês.
Agora pergunto:
Como esquecer
Tamanha grandeza,
Pequenininha, presa
Naquela paisagem
Cada vez maior da seca.

PORTA BANDEIRA
Ilustração: Sidney Ramos

FLORES NO ASFALTO
Sidney Ramos

Somos pessoas
Do mundo,
Flores brotando
No asfalto.
Viajantes na mente
De um país mentecapto.
A Pátria escondida
Que mata
E some com jovens e crianças
Reféns de um Governo Racista.
Somos pessoas
Indo e voltando,
Brigando pela vida,
Reconhecendo a humanidade,
Vendo o que existe
De verdade,
Flores no asfalto
De um país reacionário,
Das orgias
E das falsidades,
Dos medíocres
E dos milionários.